Alimentando as Emoções

Por Raquel Bulsing

Aposto que você já presenciou alguém usando a comida como prêmio em algum momento de sua vida. Realizou algo e foi presenteado com alguma comida, ou ainda, utilizou a comida como um conforto perante algo desagradável. Vemos muito isso em filmes americanos, quando a mocinha está sofrendo e acaba assaltando a geladeira, atacando com a colher um pote de sorvete enquanto chora no sofá da sala assistindo televisão.

Isto lhe é familiar?

Qual a ligação entre comida e emoções?

Antes de tudo, vale mencionar a memória afetiva: um bolo quentinho de fubá que lembra nossa avó, a coca-cola gelada no natal, o churrasco nos finais de semana com a família. Observe que na maioria das vezes há uma conexão emocional com momentos de nossas vidas, e a comida deixa de ter como objetivo único suprir uma necessidade fisiológica, passando a ocupar um lugar de destaque, remetendo ao prazer e ao conforto.

O fato é que para quase todos nós, a alimentação é influenciada diretamente por nossas emoções, pela tristeza, pelo cansaço, pela felicidade. Isto passa a ser um problema quando deixamos de ter consciência sobre o lugar que ela ocupa em nossas vidas; quando nos damos conta, o controle foi perdido e a saúde está afetada. Nesse ponto, surgem as patologias físicas, a obesidade e mais emoções envolvidas, porém negativamente no formato de culpa, baixa autoestima, estresse, vergonha, etc.

É necessário saber diferenciar a fome fisiológica da “fome provocada por emoções”.

A primeira surge gradualmente, aumentando de intensidade e com o estômago emitindo sinais de desconforto. Não recebendo alimentos, após algum tempo, poderá sentir dores de cabeça, tontura, fraqueza.

Já a fome emocional, surge de modo súbito, vorazmente e com urgência. Logo começam a aparecer desejos por alimentos específicos, geralmente dotados de muita gordura ou açúcares. A diferença básica entre os dois tipos de fome, é que na fisiológica não há sentimentos negativos após alimentar-se.

Sabendo diferenciar o tipo de fome, fica mais fácil de gerir o peso e retomar o controle para uma alimentação consciente. Uma vez que você deu-se conta da forma como utiliza a alimentação, algumas medidas podem ser tomadas para auxiliar. Por exemplo, podes buscar outras formas de consolo e tirar o foco da comida, conversando com pessoas, levando o pet para um passeio, tomando um banho relaxante, saindo para uma volta no parque, fazendo exercícios físicos, etc.

Outra medida que ajuda na reflexão do lugar ocupado pela alimentação é começar um diário alimentar e emocional, onde deves anotar o que comeu e o sentimento que tinha naquele momento. Além de controlar a alimentação, entenderá se alimentou-se fisiologicamente ou emocionalmente.

A reeducação emocional por meio da psicoterapia mostra-se efetiva no controle da fome emocional e emagrecimento, pois permite que a pessoa possa externalizar suas angústias, deixando de utilizar a alimentação como um meio paliativo de lidar com suas emoções.

Observe-se no dia de hoje.

Você está alimentando o seu corpo ou alimentando as emoções?

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