O acolhimento como “mola propulsora” na prevenção e cuidados em saúde mental

Por Joyce Muzy

Você já ouviu falar em saúde mental? Talvez sim, talvez inclusive seja um profissional da área da saúde, no entanto, um número significativo de pessoas não sabe especificar o que é saúde mental e qual a sua importância em nossas vidas.

Por saúde mental compreende-se um conceito mais amplo do que a ausência de doenças mentais.  A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) explica que “saúde mental é um estado de bem-estar no qual um indivíduo realiza suas próprias habilidades, pode lidar com as tensões normais da vida, pode trabalhar de forma produtiva e é capaz de fazer contribuições à sua comunidade”.

Os dados são alarmantes, principalmente em relação a crianças e adolescentes

De acordo com as estimativas da organização Mundial da Saúde (OMS), no Brasil a depressão afeta 11,5 milhões de pessoas e 18,6 milhões de brasileiros apresentam algum distúrbio de ansiedade. Dados do mapa da violência indicam que entre 2002 e 2012 houve um crescimento de 40% da taxa de suicídio entre crianças e adolescentes com idade entre 10 e 14 anos e um aumento de 33,5% na faixa etária de 15 e 19 anos.

Observamos o aumento do adoecimento emocional da população brasileira, no que refere à depressão, suicídio, ansiedade, violência e também no uso abusivo de álcool e outras drogas Sabe-se que esses quadros são desencadeados devido a inúmeros fatores, podendo ser mais intensos durante a fase da adolescência.

São dados realmente alarmantes não só para os profissionais de saúde mental, mas são também para pais, educadores e deveriam ser também para a população em geral.

O estigma e preconceito ainda predominam frente a questões de saúde mental

O primeiro desafio que pessoas com demandas em saúde mental enfrentam é o preconceito. O estigma frente a questões relacionadas ao sofrimento psíquico ainda é muito presente. Muito se ouve, por exemplo, que sintomas de depressão são bobagens passageiras ou, por exemplo, que está falando em suicídio para chamar a atenção.

Quais são as alternativas possíveis nessas situações?

Quando nos deparamos com sinais e sintomas relacionados a aspectos emocionais e de ordem mental, o primeiro passo é o acolhimento. O acolhimento é uma diretriz para profissionais da rede de atenção psicossocial, que possibilita a humanização do atendimento e deve ser compreendido enquanto uma técnica e postura profissional, mas pode e deve ser praticado por qualquer pessoa.

O acolhimento está intimamente relacionado à escuta genuína. Acolher é ouvir verdadeiramente o outro, de uma forma despida de preconceitos ou valores morais. É estar presente para quando a pessoa apresenta as suas queixas e relata o que está acontecendo em seu mundo interior. Acolher é dar valor para aquilo que se ouve e é também olhar para essa pessoa para além das suas dificuldades, reconhecendo a sua capacidade para a busca conjunta de resoluções. Não há como acolher de forma desvinculada de uma postura empática e respeitosa.

No dia-a-dia do trabalho profissional em saúde mental, nos deparamos com a dificuldade em superar estigmas não só por parte dos profissionais, mas também das próprias pessoas que apresentam alguma demanda dessa ordem. A pessoa está em sofrimento, mas não procura ajuda por uma série de razões, entre elas: por falta de informação sobre a quem ou onde procurar, por experiências anteriores que foram negativas, mas também por receio em admitir que precisa dessa ajuda, pois trazem consigo todo um preconceito, como por exemplo, de que a ajuda profissional em saúde mental é só para “loucos”.

Quando a pessoa se sente realmente acolhida e respeitada é possível que se inicie o estabelecimento de um vínculo de confiança. Esse vínculo torna mais real e possível que os encaminhamentos necessários sejam efetivados, pois a pessoa se sente verdadeiramente ouvida e respeitada, o que possibilita, na maioria das vezes, que esteja aberta para receber a ajuda necessária.

Em resumo, o que podemos fazer ao nos depararmos com demandas relacionadas a saúde mental de qualquer ordem:

Manter uma postura de acolhimento, buscando manter a empatia, ou seja, se colocando sempre no lugar do outro, ouvindo verdadeiramente o seu relato, respeitando as suas queixas sem menosprezá-las e olhando para o outro para além das dificuldades apresentadas, mas também para as suas potencialidades e habilidades.

Dessa forma, é possível que se estabeleça um vínculo de confiança, o que favorece os encaminhamentos necessários. Se você é profissional da saúde, esse processo facilitará o seu acesso ao usuário e se for amigo ou familiar, manter uma postura acolhedora, irá facilitar que a pessoa aceite a ajuda profissional necessária.

Fontes:

http://janeirobranco.com.br/

http://saude.ig.com.br/2016-10-10/campanha-oms-depressao.html

https://nacoesunidas.org/saude-mental-depende-de-bem-estar-fisico-e-social-diz-oms-em-dia-mundial/

https://nacoesunidas.org/

http://redehumanizasus.net/tag/acolhimento/

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