Posvenção e o luto do Suicídio

Como lidar com o luto quando perdemos uma pessoa por suicídio?

Podemos chamar de sobreviventes, todas as pessoas que foram afetadas por suicídio: os pais, familiares, amigos, colegas, irmãos, professores. Pessoas que de alguma forma tiveram  mudanças em suas vidas, por conta dessa morte.

São muitas as dúvidas que ficam quando se perde alguém para o suicídio. O sobrevivente, merece todo o cuidado e acolhimento possível, pois a dor é aniquiladora, devastadora. O chão se perde, as dúvidas são muitas, um grande vazio e perguntas que nunca poderão ser respondidas.

Todas as respostas são levadas junto à pessoa que cometeu o suicídio. E esse ato pode ser interpretado pelo e enlutado de várias formas: punição, o que não pôde ser realizado ou quem sabe uma mensagem que precisará ser decifrada e que não terá direito a resposta.

 

O que é Posvenção ?

Posvenção do Suicídio, segundo Fukumitsu, 2013 preocupa-se com o cuidado com os sobreviventes, no que diz respeito ao pós-suicídio de um ente querido.

É importante o enlutado saber que a pessoa não se matou por causa dela ou por algo que eventualmente tenha feito, falado ou deixado de fazer. O suicídio tem muitas causas.

Para os amigos e parentes próximos do enlutado, é importante jamais julgar, culpar ou excluir a pessoa de qualquer grupo ou reunião familiar. Ter pontos de apoio é fundamental diante desta circunstância.  

Talvez a empatia seja a melhor competência a ser utilizada.

Além de acolher a dor, ouvir, legitimar, estar à disposição se possível, são comportamentos que podem ajudar muito nessa fase.

O luto não tem tempo pré-definido. Cada um pode lidar de uma maneira. Pode durar anos ou pode durar para sempre…

Infelizmente esse fenômeno trágico, devastador e violento, deixam marcas profundas na vida de quem fica.

E então, vários sintomas podem aparecer, como por exemplo: perda de vontade de trabalhar, ir á escola, problemas para dormir, querer buscar um culpado para o que aconteceu, interesse por drogas e álcool etc.

Já em crianças ou adolescentes quando perdem alguém para o suicídio, as reações e comportamentos podem ser diferentes: pode haver um medo de ser abandonado por outros, pode haver muita irritação. Muitas vezes os adultos podem impedir a família de falar sobre o ocorrido, o que não é adequado.

Tentar apagar a história da pessoa que cometeu suicídio, guardando fotos, por exemplo, evitando-se de conversar abertamente sobre o ocorrido, impedindo de chorar ou de sentir raiva, são comportamentos inadequados.

Acolher essa dor, incentivar esportes para canalizar a raiva, e dizer também de forma transparente e verdadeira o que está sentindo a ela, deixar manifestar duvidas, ou qualquer sentimento, facilita esse processo. Às vezes o adolescente ou a criança ao saber da morte dessa pessoa querida pede para ver o corpo, deseja tocar, participar de funeral ou algum ritual. E isso é fundamental para a elaboração desse processo.

E um detalhe muito importante: a pessoa não consegue ter a mesma vida que antes.

Para o sobrevivente existe o antes e depois do suicídio. E isso precisa ser respeitado e acolhido.

Segunda a psicóloga e doutora Karina Okajima Fukumitsu , “ o  trabalho de Posvenção visa a um lugar onde a pessoa em processo de luto possa ser ouvida, respeitada e, principalmente, cuidada em seu sofrimento e forma de enfrentamento singular. Além disso, pretende-se auxiliar o enlutado a minimizar os impactos do suicídio e, sobretudo, proporcionar ao enlutado a ampliação de possibilidades para vislumbrar uma nova configuração, apesar das vivências confusas e que provocam mais dúvidas do que esclarecimentos.”

Portanto, o acolhimento em todo seu aspecto é  sem duvida o ponto inicial do cuidado do enlutado.

Podemos dizer resumidamente que a Posvenção que mencionamos nos parágrafos acima, tem como principal objetivo trazer alívio e minimizar dores e principalmente o risco desse comportamento se repetir, ou seja, minimizar o risco no enlutado por suicido.

A informação e acolhimento são de extrema importância para quem está passando por este período difícil na vida. Caso você conheça pessoas que possam ser beneficiadas com estas informações, compartilhe e divulgue os grupos de apoio:

Grupo Vita Alere –  www.vitaalere.com.br   

CVV – tem Grupo com atividades em São Paulo – www.cvv.org.br

Fonte:

Karina Okajima Fukumitsu é psicóloga e pós-doutoranda pelo Instituto de Psicologia (IP) da USP, e seus cursos, textos e livros tem norteado meu trabalho na clinica.

CVV – Centro Valorização a vida

Ministério da Saúde – Cartilha Estratégica de Prevenção ao Suicídio

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