RESENHA SOME REFLECTIONS ON THE ORIGINS OF MBSR – Parte 2

SOME REFLECTIONS ON THE ORIGINS OF MBSR, SKILLFUL MEANS, AND THE TROUBLE WITH MAPS | Jon Kabat-Zinn

LER: Parte 1 

MOTIVAÇÃO

Quando eu penso nisso agora, desde o início tinha para mim um motivo convincente e primário para tentar trazer a atenção para as partes populares da sociedade. Isso era para aliviar o sofrimento e catalisar maior compaixão e sabedoria em nossas vidas e cultura. No meu ponto de vista, ainda é o principal benefício que virá para nós e o impulso de continuar, é a investigação e adaptação do Mindfulness escrito conseguir manter sua profundidade, integridade e potencial. No entanto, o mistério de como isso chegou a existir, ou como qualquer coisa vem a existir, é de certa forma opaca. Seria necessário somar todas as histórias, memórias, discos e artefatos desde aquele tempo para poder se aproximar da verdade real das coisas. Eu amo isso.

Certamente não seria contado apenas da minha vida, e nem das minhas memórias, mas sobre a vida, memórias, relacionamentos e anseios de meus colegas e amigos que vieram para estar envolvidos nos primeiros anos da Clínica de Redução do Estresse, bem como as histórias e percursos de todas as pessoas distantes e que agora estão envolvidos de uma maneira ou outra em trabalhar nas várias interfaces que esta edição especial da revista representa. A meu ver, nós somos todos participantes desse processo de desdobramento misterioso, que pode realmente ter nenhum começo preciso e sem fim também.

Os vários envolvimentos, participação e carinho por parte dos contribuintes para esta questão, e de nossos colegas próximos e distantes, e na parte dos leitores, implica que todos nós carregamos algum grau de responsabilidade para a integridade do dharma como é mostrado em nossas vidas e trabalho. Isso para mim, é a melhor maneira de mantê-lo vivo, proteger a sua integridade e vitalidade, levando-o em nossos próprios corações individuais e em nossos próprios caminhos individuais que compartilhamos com colegas e como uma sangha mundial de distribuição de perspectivas, preocupações e finalidades sobreposicionadas, se não inteiramente comumente compartilhadas. As vezes eu descrevo esta interconexão como a Rede Indra no trabalho (Kabat-Zinn, 1999). Pode ser uma boa metáfora para a interligação do Universo, mas a sua essência permanece deliciosamente misteriosa.

No que segue, apresento algumas das narrativas que têm sido importantes para mim ponderando o desdobramento de MBSR. Será um relato não linear, impressionista e reflexivo, destes vários tópicos.

Além da principal motivação discutida acima, houve uma série de motivações secundárias que me atraíram a este caminho. Estes incluíram seu potencial de elucidar e aprofundar nossa compreensão da ligação mente e corpo através de novas dimensões da investigação científica, e também, a possibilidade de desenvolvimento de uma forma de vida correta para mim em um momento particular, bem como, se bem sucedida, modo de vida correto para um grande número de outros que seriam atraídos para um trabalho deste tipo, devido à sua autenticidade e profundidade potencial. Havia também o fato de estar apaixonado com a beleza, simplicidade e universalidade do dharma, chegando a vê-lo como uma digna e significativa via para uma vida bem vivida.

PREVENDO O POSSÍVEL

Comecei o que foi originalmente chamado de Programa de Redução de Estresse e Relaxamento em setembro de 1979. Surgiu de muitos anos de pensamentos, meditação e viagens de dentro para fora, antes de surgir como uma possibilidade na minha mente. Uma vez estabelecido no hospital, em alguns anos, ele foi renomeado para Clínica de Redução de Estresse, enfatizando que era um serviço clínico, como qualquer outro no Departamento de Medicina.

Mais tarde, quanto outros programas começaram a se formar com base em nosso trabalho, começamos a falar do nosso trabalho de uma forma mais generalizada como MBSR ou Redução do Estresse Baseado em Atenção Plena.

Desde o início, ele foi motivado por um forte impulso da minha parte para fazer a minha prática do Dharma, juntamente com a minha vida profissional em um todo unificado, como uma expressão de modo de vida correto e no serviço de algo útil que se sentiu muito necessário no mundo.

Em 1976, fui trabalhar na Universidade de Massachusetts de Ensino Médico. Durante todo o tempo, meu Koan sobre o que eu realmente deveria estar fazendo com a minha vida em termos de modo de vida correto, profundamente se desenrolava.

Em um retiro de Vipassana de duas semanas na IMS em Barre, Massachusetts, na primavera de 1979, enquanto estava sentado no meu quarto, numa tarde do décimo dia do retiro, eu tive uma visão que durou talvez 10 segundos. Eu realmente não sei como chamá-la, então eu chamarei de visão. Era rica em detalhes. Não veio como um devaneio ou um fluxo de pensamento, mas sim, como algo completamente diferente, que até hoje não consigo e nem sinto necessidade de explicar completamente.

Eu vi em um instante, não só o modelo que poderia ser colocado em prática, mas também as implicações de longo prazo que poderia acontecer. Se a ideia era sólida e poderia ser implementada em um ambiente de teste, de certo iria desencadear novos campos de investigação científica e clínica e, iria se espalhar para os hospitais, clínicas e centros médicos de todo o país e de todo o mundo.

Foi tão convincente que resolvi levá-la com toda força o melhor que pude. Praticamente tudo o que eu vi nesses 10 segundos, tem acontecido em grande medida por causa do trabalho e do amor de todas as pessoas que encontraram a Clínica de Redução do Estresse quando começou, e quiseram contribuir com as suas próprias trajetórias cármicas e suas paixões para o nascimento e contínuo desenvolvimento do MBSR. Inclusive o bem-estar e longevidade dos quais estavam sempre em algum sentido hesitante e incerto, por causa das flutuações da escola de medicina e a política hospitalar.

Eu senti naquele momento efêmero no retiro, que seria um trabalho digno, simplesmente compartilhar a essência da meditação e as práticas da yoga como eu vinha aprendendo e praticando nos últimos 13 anos.

Por que não tentar fazer a meditação tão simples, que qualquer pessoa de bom senso seria atraída por ela?

Por que não desenvolver um vocabulário que falava diretamente sobre o que importava, sem se concentrar em aspectos culturais das tradições das quais o dharma surgiu, ou em debates acadêmicos de séculos de idade sobre distinções finas no Abidharma?

Não porque eles não são importantes, mas porque provavelmente causariam impedimentos desnecessários para as pessoas que estavam basicamente sofrendo e buscando algum tipo de liberação.

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Tradução livre | Parte 2 – Adriana Cardoso

Fonte: Contemporary Buddhism, Vol. 12, No. 1, May 2011 ISSN 1463-994 7print/1476-7953 online/11/010281-306 q 2011 Taylor & Francis DOI: 10.1080/14639947.2011.564844

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