Suicídio e a importância do acolhimento na prevenção

Por Adriana Maximina Volsi

Gostaria de começar esse encontro de palavras compartilhadas ou esse texto como usualmente é conhecido, sobre o que é Acolhimento.

Essa palavra tão bonita e carregada de significado tem sua origem no Latim ACOLLIGERE, que significa reunir ou juntar.

Quando uma pessoa busca pelo suicídio é sinal que todos os seus sentimentos, emoções, dores, estão despedaçadas, soltos, desorganizados, bagunçados, triturados, sem cor, sem vida, sem energia e tudo isso ocupa um vazio imenso.

É uma angústia pautada onde nada parece ter sentido e uma dor existencial que não passa nunca e tem grande intensidade.

Infelizmente a pessoa suicida é vista como aquela que dá trabalho, a que tem frescura, a que é louca e que não tem o que fazer e ainda só está querendo chamar a atenção.  Esse é o pior pensamento que podemos ter em relação a essa pessoa.

Suicídio não é loucura e não é para chamar atenção.

Dar foco no acolhimento desse sofrimento existencial fará muita e toda diferença no atendimento da pessoa suicida. Reunir e juntar os cacos são tarefas que exige disponibilidade, atenção e nenhum julgamento.  

Acolher é legitimar e validar a dor do outro, acreditando que sempre podemos fazer algo pela pessoa, esse é outro fator importante. É levar em consideração e recolher juntos os pedaços que a vida pra essa pessoa, quebrou. É desenvolver a capacidade de perceber que é isso que vai dar mais valor a sua existência.  

Hoje no mundo, segundo dados OMS, 2014 – mais de 800 mil pessoas tiram a própria vida no ano e é a segunda maior causa de mortes entre jovens de 15 a 29 anos.

Também segundo a OMS, 2014 – no Brasil os números são assustadores mais de 11 mil pessoas tiram a própria vida por ano em média e é a quarta maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. Por isso precisamos falar muito ainda sobre esse tema que é um Tabu.

Para prevenir, para mudar é preciso falar e esgotar o assunto ao máximo.

Esse mês de Janeiro, mês de dedicado à saúde mental, não poderia deixar de abraçar esse tema tão importante mundialmente. É de fundamental importância mais e mais pessoas lerem, conhecer e divulgar as causas e a prevenção do suicídio. Então, vamos lá conhecer um pouco dos sinais?

Sinais de Alerta – o que fazer ?

Boa parte das pessoas dão sinais de sua intenção e é mito acreditar que essas pessoas estejam apenas querendo chamar atenção. Ninguém é realmente capaz de prever com exatidão quando a pessoa irá se suicidar, mas o risco pode ser estimado, segundo a própria OMS.

Desejo de vida e morte: a pessoa que busca o suicídio é ambivalente. Ou seja, existe uma vontade imensa de sair daquela dor, mas também quer sobreviver a essa dor.  

Impulsividade é outra grande característica.  Muitas vezes desencadeado por eventos negativos. Esse impulso pode durar horas ou minutos. Mas é passageiro. Situações como perda de entes queridos, recriminação, rejeição, situações de abuso físico ou psicológico podem desencadear todos os componentes.  Acolher com muita empatia, irá ajudar a diminuir muito a crise e o desejo. É nesse momento que vemos a crise com uma oportunidade de acolher e respeitar, mas de dizer também que não se concorda com essa possibilidade. Ao fazermos isso, potencialmente já estamos acreditando na vida dessa pessoa e nesse momento buscamos encontrar vida numa dessas fissuras da dor.  

Rigidez: a pessoa que pensa no suicídio como possibilidade não consegue encontrar sozinha qualquer saída. Suas decisões e pensamentos são circunscritos, rígidos e dentro de suas dores imaginam e acreditam que não há como sair daquele sofrimento emocional. Não existe flexibilidade. Neste aspecto demanda muita atenção, respeito e acolhimento a essa dor existencial, profunda e intensa.

Alguns sinais diretos e indiretos do pensamento e desejo suicida:

  1. Desejo de vingança.
  2. Isolamento de amigos, familiares e eventos sociais.
  3. Aumento no uso de álcool e outras drogas em geral.
  4. Fazer testamento.
  5. Colocar documentos, gavetas, coisa de modo geral em ordem.
  6. Súbito interesse ou desinteresse em religião.

A pessoa que procura pelo suicídio apresenta muito Desespero, se sente Desamparada e muita Desesperança. Inclusive, esses são os 3 D´da cartilha  da Associação Brasileira de Psiquiatria de 2014.

Notando qualquer sinal, o mais importante é pergunta de forma educada e respeitosa, se a pessoa está pensando em suicídio.

Acolha, não julgue e tenha uma escuta atenta e presente.  

Informe sobre onde procurar ajuda.

Mostre afeto, acolha.

Ofereça carinho se for possível.

Onde procurar ajuda?

Caso você ou alguém que você conheça, precise de ajuda, ligue 141 ou 188 ou pelo Site do CVV – Centro de Valorização da Vida. O atendimento é gratuito, sigiloso e não é preciso se identificar. Além disso, procurar ajuda de um profissional, como psicólogo ou psiquiatra é fundamental.

Muito embora, esse texto tem como sujeito a pessoa suicida, é importante mencionar que muitas pessoas que já tiveram pessoas que foram perdidas para o suicídio, e isso sem sombra de dúvida é devastador para o enlutado, também precisa de amparo e acolhimento.

Sentimentos de culpa, dúvidas, insônia e fadiga estão presentes nesse momento e pode perdurar por muito tempo. Se puder estar entre amigos, familiares pode ajudar muito, pois são pontos de apoio e de conexão com uma nova vida que leva tempo e que demanda Fé. Um profissional da área da saúde nesses casos também pode ajudar.  

E por último gostaria de indicar dois livros que podem ser lidos por adultos, mas que são para as crianças:

E agora? De Karen Scavacini e O que a Mamãe tem? Da Estela Ramires Lourenço, ambos estão no meu Instagram com todas as referências e fotos.

Nesses momentos a criança também sofre muito por não compreender o que aconteceu e por estar num emaranhado de dor e desespero em sua própria casa. Esses livros vêm pra ajudar a acolher e conversar com as crianças de forma didática e carinhosa.

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